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Mensagem do Bispo Diocesano sobre atual situação mundial

Publicada em 20/03/20 as 12:45h por Dom Neri José Tondello - 134 visualizações


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 (Foto: Nazaré Fm 89,5)

“Volta, Israel a Iahweh teu Deus, pois tropeçaste em tua falta...perdoa toda culpa” (Oséias 14, 2-3).

Queridos irmãos e irmãs! Amadas irmãs e amados irmãos em Cristo Jesus.

No início do período da Quaresma, deste ano eu afirmava: é hora de voltar para casa, do vagar “num deserto sem estradas” (Jó, 12,25 e Jó 15,23ss), e também do “vagueiam pelas trevas” (Sl 81,5). “Israel anda disperso pelas montanhas...que cada um volte em paz para sua casa” (2Cr 18, 16). Quarenta dias de jejum, esmola e oração, eis o convite de Deus para toda criatura em busca de uma vida transformada e renovada. De outro lado a “quarentena”, supostos 40 dias também. A Quaresma para os cristãos, a quarentena para todos pela força da circunstância.

Recordo em nota anterior: “como nos dias de Noé...estavam eles comendo bebendo, casando-se e dando-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na Arca, e não perceberam nada até que veio o dilúvio e os levou a todos” (Mt, 24,37).

Ao referir-me é hora de voltar para casa, queria fazer entender que “vagueamos pelos montes” no vazio da tecnocracia, na loucura pelo dinheiro, desesperados no engodo dos bens materiais, na corrida para ser o mais rico, o maior, até passando por cima dos outros, na busca sem limites pelo consumo. Loucos em produzir mais, sem escrúpulo no uso de agrotóxicos, no único objetivo de obter mais lucro como fim maior. Uma economia sem coração, irracional e competitiva, Homo homini lúpus, “homem que vira lobo do próprio homem”. Quarenta dias para pensar e rever nossos conceitos, nossas atitudes de fé em Deus, cuidado com o próximo e cuidado com a “Casa Comum”.

Não parece suficiente o bastante, ainda que o Evangelho seja premissa para o bem maior de toda humanidade, o coronavírus atinge a todos, indistintamente. Ninguém vai ficar de fora. De um jeito ou de outro, todos somos afetados, até o mais dormente. Por força do vírus, todos nos tornamos vulneráveis. Sujeitos de contrair, sofrer e até morrer. Muitos inocentes, já estão pagando com a própria vida, além daqueles que cuidam dos contaminados, inclusive padres no cumprimento de seu dever missionário, médicos e profissionais da saúde.

“Voltar para casa”, é uma expressão que diz mais ainda, quando me refiro ao encontrar-me comigo mesmo, em meu coração, no sacrário de minha consciência, “no meu quarto”. Guardião de mim mesmo, do ponto de vista físico, moral, ético e espiritual, como um ser humano que se medita em relação com Deus, com o mundo e com o outro. Tudo isso, ainda nesta Quaresma e Semana Santa.

Contudo, a quarentena, por sua vez, nos faz também voltar para a casa de nosso lar. Nunca se tinha tempo para nada. Agora não sabemos o que fazer com o tempo. Certamente o mundo não será o mesmo após o coronavírus. É urgente pensar em novo estilo de vida (Papa Francisco), com novos métodos e atitudes. Rever nossos conceitos, valores e paradigmas.

Quem faz a experiência de ver seus mortos partirem em caminhões como na Itália (Bergamo), jamais lembram esta dura prova como “fantasia”, e/ou, como “histeria”. Uma guerra completamente diferente, inimaginável. Não podendo nem enterrar seus mortos com a dignidade e respeito que merecem e conforme o costume cristão. São levados aos caminhões do Exército, privados do maior direito ao sentimento humano: chorar seus mortos. Do jeito que encontramos na Bíblia: “Assim disse o Senhor: Em Ramá se ouve uma voz, lamentação, choro amargo; Raquel chora seus filhos, ela não quer ser consolada por seus filhos, porque já não existem mais” (Jr, 31, 15).

Voltar para casa. Sua casa. Nossa casa. Minha casa. Meu lar, minha Igreja doméstica. Rezar em família. Não celebrar na comunidade, não significa rezar menos, antes, precisamos rezar mais e em família. Vamos fazer uma Quaresma/quarentena/Semana Santa excepcionalmente, diferente, neste ano, cuidando-nos mutuamente de maneira respeitosa, reverente e restrita. Ainda é tempo de prevenir. Remediar pode ficar tarde.

Acompanhando as orientações das autoridades competentes queremos também nós de maneira responsável colaborar para que a vida seja preservada. Portanto, é hora de ficar em casa. Não viajar. Fiquemos na região. Cada um no seu cantinho curtindo sua família. Convivendo um pouco mais. Recomendo, para que rezemos mais ainda. “Estamos em emergência, diz o Papa Francisco: Rezemos juntos o terço”. Acompanhar pelos meios de comunicação social a programação religiosa. As funções de Semana Santa.

As Igrejas estarão abertas durante o dia, contudo as celebrações bem restritas para poucas pessoas conforme as orientações. Fiquemos atentos e vigilantes às novas informações e orientações. Obedeçamos às ordens de Deus. Protejamos e preservemos a vida.

Dom Neri José Tondello, Bispo Diocesano de Juína.



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