Mato Grosso completa, em 2026, 30 anos sem registros de febre aftosa no rebanho, consolidando uma trajetória de avanços na defesa sanitária animal. O último foco da doença foi identificado em janeiro de 1996. Desde então, o Estado intensificou as ações de vacinação, fiscalização e monitoramento, até alcançar o reconhecimento nacional como área livre da enfermidade sem vacinação, em 2024.
A conquista representa um marco para a pecuária mato-grossense, que possui um dos maiores rebanhos bovinos do país, e reforça a importância do trabalho conjunto entre órgãos de defesa agropecuária, médicos-veterinários e produtores rurais para manter a sanidade dos animais e a competitividade do setor.
De acordo com o Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT), a suspensão da vacinação contra a febre aftosa ocorreu em 2023, após o cumprimento dos requisitos sanitários. Em 2024, o Estado obteve o reconhecimento nacional como livre da doença sem vacinação. Já em maio de 2025, o Brasil recebeu o reconhecimento internacional da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) como país livre da febre aftosa sem vacinação.
Trabalho de décadas e atuação dos profissionais
A trajetória de Mato Grosso no combate à febre aftosa foi construída ao longo de décadas, com a participação de profissionais que atuaram diretamente na vigilância e no controle da doença.
Em entrevista publicada pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária de Mato Grosso (CRMV-MT), a médica-veterinária Rísia Lopes Negreiros, que trabalhou no Indea, relembrou sua atuação no período em que o Estado ainda registrava focos da enfermidade. Ela participou de ações de vigilância, fiscalização e estruturação dos serviços de defesa sanitária.
Ao recordar o último foco registrado em janeiro de 1996 e os avanços obtidos naquele período, Rísia destacou a importância do trabalho realizado pelos profissionais. "Eu me sentia privilegiada com o meu trabalho, sabia que era um serviço importante e por isso, sempre dei o meu melhor", declarou.
A médica-veterinária também ressaltou a necessidade de manter a vigilância mesmo após a conquista do reconhecimento sanitário, lembrando que a ocorrência da doença em outras regiões serviu de alerta para ampliar as medidas de prevenção.
Reconhecimento exige vigilância permanente
Apesar dos avanços, a ausência de registros da doença não significa que os riscos estejam eliminados. A febre aftosa é altamente contagiosa e pode atingir bovinos, búfalos, suínos, ovinos e caprinos, além de algumas espécies silvestres.
Entre os principais sinais clínicos estão febre, salivação excessiva, feridas ou bolhas na boca e entre os cascos, dificuldade de locomoção, perda de apetite e isolamento dos animais. A identificação de qualquer suspeita deve ser comunicada imediatamente ao serviço veterinário oficial.
O presidente do CRMV-MT, médico-veterinário Aruaque Lotufo, destacou o papel dos profissionais na conquista sanitária brasileira. "Essa conquista pertence aos médicos-veterinários que atuaram — e seguem atuando — com ética, ciência, técnica e muita dedicação", afirmou.
O Indea orienta os produtores a manterem o controle do trânsito de animais, adotarem medidas de biossegurança nas propriedades, acompanharem a saúde dos rebanhos e realizarem a comunicação obrigatória dos estoques nas etapas de maio e novembro. Também é fundamental comunicar imediatamente qualquer suspeita de doença ao órgão.
Em Mato Grosso, as notificações podem ser feitas à unidade local do Indea ou pelo Disque Aftosa, no telefone 0800 065 3015, para orientação e atendimento veterinário. A manutenção do status sanitário é essencial para proteger a pecuária estadual, preservar a saúde dos rebanhos e garantir o acesso aos mercados nacionais e internacionais, especialmente após o reconhecimento do Brasil como livre da febre aftosa sem vacinação.
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